(Lisboa 27 dez 1936-Londres 31 out 2019)

Membro do Conselho de Administração e Presidente do Conselho Consultivo da Fundação Pulido Valente, desde a sua constituição, foi o grande impulsionador do Prémio Ciência, desde 2003. Tendo frequentado e terminado o curso de Medicina em Lisboa, participou nas movimentações estudantis e na constituição da Comissão Pró-Associação da Faculdade de Medicina de Lisboa entre 1957 e 1961. Embora residindo em Londres, onde fez toda a sua carreira de Professor Universitário e Investigador, manteve sempre uma forte ligação ao país e a amizades que perduraram até hoje. Foi um dos fundadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e foi-lhe atribuído o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto.

Algumas datas e notas biográficas

Licenciatura em Medicina, Universidade de Lisboa (1961), Mestrado em Bioquímica, Universidade de Londres (1964) e Doutoramento em Virologia, Universidade de Londres (1973).

Bolseiro Gulbenkian (1961-1965); Imperial Cancer Research Fellow (1965-1968); Research Scientist, Imperial Cancer Research Fund (1968-1973), Lecturer in Cell Studies, Royal Free Hospital School of Medicine (RFHSM) (1973-1978); Senior Lecturer, RFHSM (1978-1983); Reader, RFHSM (1983-1988) e St.Mary’s Hospital Medical School (1988-1997); Professor of Molecular Hepatology, Imperial College (1997-2002).

Professor Agregado e Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto.

Foi supervisor de várias teses de doutoramento, e Professor do Mestrado em Biologia e Patologia Molecular dos Virus (Imperial College). Fez investigação cientifica sobre a biologia molecular dos vírus causadores das hepatites humanas tendo publicado mais de 120 artigos em revistas internacionais e sido orador convidado em reuniões internacionais.

Em Portugal foi membro da Comissão Instaladora do Instituto de Ciências Abel Salazar e consultor científico da JNICT e mais tarde da FCT.

Actividade Científica: Publicou mais de centena e meia de artigos em jornais científicos e livros e como único autor, um livro intitulado: Molecular Biology of Human Hepatitis Viruses – Imperial College Press,1998.

Isabel do Carmo

Nunca esperei que o João morresse tão depressa. É das tais pessoas que esperava irracionalmente que vivessem para sempre…

Fui amiga do João desde os meus 17 anos, quando entrei para Medicina. Fez parte das minhas vivências, na Faculdade e na vida política até ser obrigado a ir para Inglaterra com a Maria Emília. E depois sempre em ligação com Portugal, numa fidelidade afectiva e política, que passaram a fazer parte do seu carácter de exilado de facto, mesmo depois do 25 de Abril e poder vir a Portugal. Disse-me há pouco tempo que não tinha amigos em Londres, porque a cidade era muito extensa e levava muito tempo a encontrar as pessoas. Uma explicação que me ficou da psico-geografia e que me explicou outros casos de exilados em grandes cidades. Provavelmente esse era um exagero.

Mas em Lisboa visitava fielmente os amigos de sempre.

Muitos deles tinham integrado essa experiência ímpar da “Pró-Associação de Medicina”, organismo especial, que, nos anos de chumbo, representou uma modernidade organizativa que só viria a ter igual 20 anos depois. Proibida a Associação pela ditadura, reprimida pela policia ainda no tempo da velha Faculdade no Campo de Santana, um grupo brilhante, entre eles o João, a Maria Emília, o Fernando Lopes da Silva, o Rui de Oliveira, a Manuela Lima, a Conceição Nápoles Guerra, a Helena Silva Araújo, o Corvelo, o Luís Bernardino, o Hélder Martins, o Dante Marques, a Emília, a Fernanda Gonçalves, o Messing e outros estabeleceram uma organização sem direção, que reunia de porta aberta com delegados eleitos pelos cursos e quem mais quisesse entrar. Depois vieram outros mais novos. Discutia-se de tudo em relação à Faculdade e organizavam-se concertos de música erudita e exposições de Artes Plásticas, sempre após tentativas várias para vencer os impedimentos da Pide para tão arrojadas iniciativas culturais…Foi esse grupo que conseguiu que fosse construída a atual Sala de Alunos, com o apoio dos Profs Jorge Horta e Cândido de Oliveira. Anteriormente era num espaço que viria a ser o “Toxinas”, que reuníamos. O João foi preso e esteve nos curros do Aljube. E também foi sempre fiel às ideias que o levaram à prisão. No exilio manteve-se sempre organizado e ativo.

Quando estive presa senti sempre a solidariedade do João e do Fernando, que estavam lá fora, para além dos que estavam cá dentro.

Amigo, solidário, modesto e sempre a lutar pelas causas da igualdade e da liberdade, perdemos o João e faz-nos falta.

Jorge calado

Estou desolado! Era um Homem grande em todos os sentidos! Embora os nossos contactos tenham sido fugazes, bastaram para eu desenvolver uma grande admiração por ele e sentir uma proximidade emocional que me era muito querida. Sinto-me mais só. Peço-lhe o favor de transmitir as minhas condolências à família, em especial a Maria Emília e Carlos.

Miguel Carneiro de Moura

Uma notícia muito, muito triste e para mim até certo modo inesperada. Sabia que estava pior mas não tinha a noção real da situação. Estava a planear visita-lo na minha próxima viagem a Londres em Fevereiro.

Fui desde a universidade Amigo do João, convivemos com regularidade durante as nossas vidas profissionais e culturais e as nossas relações estreitaram-se quando me convidou para a Fundação que logo aceitei com muito agrado. Sempre o admirei. Vamos sentir muito a sua falta. 

Um grande beijo á Maria Emília e os meus profundos sentimentos ás filhas e ao irmão Carlos. 

Um grande abraço para todos

Manuela Lima

Escreve uma grande amiga do João. Por isso não sei dizer nada agora. 
Só quero mandar uma grande tristeza à Maria Emília.

Constantino Sakellarides

Apesar de ser da mesma geração não tive o gosto de privar de perto com João Pulido Valente.

Contudo, por mais do que um testemunho de confiança, acabei de certa forma de o “conhecer”, como homem integro, de permanece inquietude intelectual, de não-conformidade com o que não havia que tolerar. 

Agora, continuando a fazer a nossa parte, e cada um de nós um pouco a dele, talvez possamos “continuar a construção”.

Á sua família e à FFPV, os meus sentidos pêsames. 

Fernando Rosas

Privei com o João Pulido Valente numa iniciativa conjunta com a Fundação Mário Soares de homenagem aos professores expulsos por motivos políticos das universidades portuguesas. Reencontrei-o como exímio tradutor do inglês da obra do patriota goes Pundalik D. Gaitonde que tive a honra de prefaciar. Sempre o espírito combativo e lúcido do jovem que nunca deixou de ser.

À família e amigos apresento as minhas sentidas condolências. A sua memória fica connosco.

João Caraça

É verdadeiramente uma notícia muito triste. Vi sempre o João como um grande Amigo, desde pequenino, e ao longo da vida sempre vi reforçada essa imagem boa de franco sorriso e raciocínio preciso.

Envio um grande beijo à Maria Emília e às suas filhas bem como um abraço apertado ao Carlos.

Dizem que a vida é continuar, mas a memória é um poderoso estímulo para nos levantarmos todos os dias. O João vai continuar connosco até sempre.

Manuela Lucas

Recebi com muita tristeza e alguma perplexidade a notícia.

Foi, para mim, um privilégio, ter conhecido e convivido com o João e a Maria Emília, que vejo como indissociáveis.

O João inteligente, lutador, preciso, por vezes irascível e sempre mordaz.

Lembro-me de uma vez, ao entrarmos na OM para a reunião do CC da FFPV e nos deparamos com o chefe Supiro, que na altura imperava na Ordem, sentado no sofá, o João ter comentado: ora, aqui está o próximo bastonário!

A Maria Emília inteligente, discreta, culta, apaziguadora, boa contadora de histórias e sempre com o seu sorriso doce.

O João vai continuar connosco!

Envio sentimentos à Maria Emília, filhas e irmão.

Estou convosco.

Fernanda Rollo

Que triste notícia…Sinto muito. Fica a memória e a inspiração que o seu percurso pessoal e profissional nos proporcionam

Alexandre Quintanilha

Ficamos todos muito mais pobres.

O João foi um dos grandes apoiantes da criação do ICBAS, uma escola biomédica diferente, interdisciplinar e inovadora.

E contribuído para uma bioquímica médica mais forte em Portugal. Foi sempre inspirador e provocador. Fico muito triste e sei vou/vamos sentir muito a sua falta. Um grande e forte abraço para toda a família.

Francisco Pena

É com enorme e profundo pesar que recebo esta muito triste notícia 

Endereço aos meus Primos e restante família os meus mais sentidos votos de pesar

Abraço amigo, muito em especial à Maria Emília e filhas, bem como ao Primo Carlos

Alexandra Covas Lima

A partida ou perda é sempre sentida com enorme tristeza, ficam memórias, recordações, Família, Marco das vivencias e por vezes a responsabilidade da continuação ou de tentar continuar a Obra. 

Ficámos pobres com a triste notícia, a comunidade científica e Portugal perdeu.Transmito os meus profundos e sinceros sentimentos à Família. 

Manuel Sobrinho Simões

Caro Doutor Rui Pulido Valente,

Regressei ontem ao mundo cibernético e só então soube a triste notícia. Gostava muito do Doutor João Monjardino. Não conhecia nem a mulher nem os filhos mas sei que eram (e são) uma família de que ele se orgulhava. Na altura da criação do ICBAS a minha ligação ao Doutor Monjardino foi através do Doutor Corino e do Prof. Nuno Grande e aprendi a apreciar as características excepcionais tanto pessoais como profissionais do Doutor Monjardino. Sei também a influência que sempre teve na Fundação. Um abraço com muita pena.

Luís Bernardino

Associo-me à grande consternação de todos por já não termos connosco o João. Um abraço especial à Maria Emília e filhas

Para além de tudo o que havia em comum com ele, recordo o seu sorriso aberto, que, mesmo após muitos anos de ausência, nos acolhia sempre como se fosse ontem

A Isabel do Carmo, que teve o cuidado de me dar a triste notícia, evoca o João entre as pessoas que integravam a Comissão Pró-Associação da Faculdade de Medicina. Eu anexo esta foto da semana de recepção aos novos alunos da Faculdade, em 1957-58, junto às instalações da Associação da Faculdade de Ciências, onde, á falta de espaço próprio, fizemos a comemoração.

Lá está o João e a Maria Emília (e a Isabel … entre outros querido colegas, alguns mortos, outros – quanto sei – felizmente vivos)


Elementos da Comissão Pró-Associação da Faculdade de Medicina, organizadores da Recepção aos novos alunos no ano de 1957-58