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Intervenção cultural e política

Filosofia

Francisco Pulido Valente aderiu à corrente do neo-positivismo lógico, representada pelo Círculo de Viena, sendo conhecida a polémica travada na revista «Seara Nova», em 1945, com Sant'Ana Dionísio, na sequência de uma nota crítica deste último ao livro de Egídio Namorado «A Escola de Viena».

Fazem parte da biblioteca da Fundação algumas obras de autores pertencentes ao Círculo de Viena como, por exemplo: Carnap, Reichenbach, Neurath, Von Mises e Kelsen, assim como de Russell e Wittgenstein, não assumidamente pertencentes à mesma escola. Lúcio Pinheiro dos Santos, cunhado de F.P.V., pertencia também à escola de Leonardo Coimbra, tendo publicado um artigo sobre este filósofo, num livro que pertence à biblioteca. O trabalho de Lúcio Pinheiro dos Santos intitulado "A Ritmanálise" é referido por Gaston Bachelard no livro Dialectique de la Durée, também pertença da biblioteca.


Física e Matemática

O espírito racionalista de Francisco Pulido Valente levou-o a atribuir um papel fundamental às ciências exactas no estudo dos processos vitais, normais e patológicos. É opinião generalizada que Pulido Valente foi o introdutor da Medicina Científica em Portugal.

As seis lições sobre electrocardiografia, proferidas em cursos de aperfeiçoamento nos anos de 1938 e 1939, constituem exemplos de acção pedagógica do Professor no sentido da introdução desses métodos científicos na Medicina Portuguesa.

O interesse do Professor Pulido pelas aplicações médicas da Física à Medicina, obrigou-o a aperfeiçoar os seus conhecimentos de Matemática. No entanto, esse interesse não se limitava às suas aplicações à Medicina. De facto, procurava acompanhar os resultados da Física Teórica Moderna, abrangendo a Teoria da Relatividade, a Mecânica Ondulatória e a Física Quântica.

É conhecida a admiração do patrono por Einstein, do qual tinha um retrato grande no seu consultório e várias obras acerca da Teoria da Relatividade, todo este material é pertença do espólio do patrono.


O Grupo do Consultório

Assim ficou conhecida a tertúlia que, todas as tardes, reunia no consultório de Pulido Valente, ao Chiado, retratada no quadro de Abel Manta. Trata-se de uma tela de grandes dimensões, na qual estão representadas 12 figuras do nosso meio intelectual que, no final da tarde, se reuniam para discutir e conversar sobre temas diversos, desde a actualidade política aos problemas filosóficos e da cultura.

Este quadro esteve, inicialmente (1955/56) em casa de Francisco Pulido Valente na Avenida António Augusto de Aguiar, sendo em 1971 transferido para casa de Manuel Mendes (escritor) no Restelo. Após a morte da esposa do escritor (Bá Mendes) o quadro é, em 1983, doado pelos herdeiros à Câmara Municipal de Lisboa, encontrando-se exposto no Museu da Cidade.

As personalidades representadas são: em primeiro plano e sentados ao centro: Aquilino Ribeiro, Pulido Valente, Carlos Olavo e Ramada Curto; em pé à sua volta, Ribeiro dos Santos, Mário de Alenquer, Lopes Graça, Manuel Mendes, Sebastião Costa, Câmara Reis, Abel Manta e Alberto Candeias.


Política

É conhecida a participação de F.P.V. na greve académica de 1907 contra João Franco, juntamente com os seus amigos Ramada Curto e Carlos Olavo. Conhece-se também o papel que desempenhou na Revolução de 5 de Outubro. São desta época os artigos que publicou no jornal «República Portuguesa» e que constam do «In Memoriam».

Durante a ditadura, o patrono desta fundação manteve sempre relações com as tentativas revolucionárias, através de amigos nelas implicados, tais como Fernando de Castro (genro de Afonso Costa), Agatão Lança, Américo e Carlos Olavo, Álvaro Pope. Em 1927 viu-se envolvido num episódio trágico de que resultou a morte de Américo Olavo. Sem ser político e muito menos militante, existia uma grande proximidade com o PCP, em particular com Álvaro Cunhal, devido à amizade deste com o filho primogénito do patrono (Francisco Eduardo).

Francisco Pulido Valente ajudou e defendeu diversos revolucionários por intermédio de seu filho Fernando, membro do MUD juvenil, sendo demitido mais tarde (1947) quando este seu filho se encontrava preso. Deu início a uma polémica com o Ministro da Saúde em 1949, devido a declarações onde denunciava o estado da saúde em Portugal. Em 1958, faz parte do movimento de candidatura de Humberto Delgado, do qual recebe uma carta de agradecimento que também faz parte do Espólio.


Guerra de 14-18

Francisco Pulido Valente é mobilizado para França em Julho de 1917 e aí se mantém até 1919, inicialmente no Hospital de Sangue de Merville, depois no Hospital Militar de Hendaia e, por fim, no Hospital da Base n.º2 em Ambleteuse.

A sua mulher e a filha mais velha mantêm-se em Portugal até depois do nascimento, em Novembro de 1917, do segundo filho, Francisco Eduardo, e só em 1918 se instalam em Hendaia, onde permanecerão juntamente com outras famílias portuguesas – Bernardino Machado, Afonso Costa, Sílvio Ribeiro – até ao fim desse ano. A maior parte das cartas e dos postais enviados por Francisco Pulido Valente para a sua mulher são do período em que ela ainda se encontrava em Portugal e o seu conteúdo é, principalmente, de natureza familiar e íntima, exprimindo saudade e inquietação com a saúde dos familiares, principalmente de sua mulher, antes do nascimento do filho.

Por todas as cartas perpassa uma enorme ânsia de notícias. Algumas destas cartas contém, no entanto, considerações e comentários sobre pessoas e acontecimentos, o que lhes confere interesse geral.


Guerra Civil Espanhola

O interesse de Francisco Pulido Valente pela Guerra Civil Espanhola era devido, não só à importância que atribuía a esta guerra, do ponto de vista da política internacional, como, especialmente, à sua própria ligação a Espanha e à cultura espanhola.

Esta ligação provinha, em parte, da origem espanhola da família Pulido, fixada em Barrancos. Note-se que Barrancos desempenhou um papel importante no acolhimento de refugiados republicanos, nem sempre, no entanto lhes dispensando a protecção que mereciam. António Vasquez e Manuel Pulido, da família de Francisco Pulido Valente, eram figuras influentes da sociedade barranquenha e ambos apoiantes do franquismo.


Os painéis de S.Vicente

O interesse do patrono da Fundação por este assunto foi, presumivelmente, despertado pelo seu cliente António Belard da Fonseca, o qual lhe ofereceu os 4 livros da sua autoria, com dedicatória sua, que se encontram na biblioteca. Francisco Pulido Valente apreciava o trabalho de Belard da Fonseca, a que atribuía grande credibilidade.

Os trabalhos posteriores sobre o assunto não vieram confirmar os resultados da investigação proclamados por Belard, estando ainda hoje por esclarecer inúmeros «mistérios» a respeito destas pinturas e do seu autor.