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Nota Biográfica

Pequeno excerto baseado no artigo da Enciclopédia Luso-Brasileira

Francisco Pulido Valente foi na sua época um notável médico e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. Defendeu tese em 1909 e dois anos depois, após concurso de provas públicas, foi nomeado médico efectivo dos Hospitais Civis. Foi assistente de Psiquiatria e especializou-se no estudo de doenças nervosas e Clínica Geral. Foi mobilizado para França (1917) onde dirigiu os serviços de doenças infecto-contagiosas, inicialmente no Hospital de Cherville e depois no Hospital Militar de Hendaia e no da Base n.º2. Regressando a Portugal, reassumia as funções anteriormente prestadas, ascendendo a professor catedrático e regendo a cadeira fundamental de Clínica Médica.

Homem de grande cultura científica, competência excepcional, visto como um renovador na Faculdade de Medicina. Representou Portugal em diversos congressos científicos e foi premiado por diversos trabalhos neles apresentados. Sempre viveu afastado da vida política militante, assumido republicano, destacou-se pela sua intransigência na famosa greve académica do tempo de João Franco. Em Junho de 1947, determinado em Conselho de Ministros, foi-lhe retirada a cátedra por ser considerado desafecto à política de Estado Novo dedicando-se então à clínica particular.

Este grande clínico, um dos maiores do País, avesso a todas as formas de publicidade, é autor de vários e valiosos trabalhos de investigação. De entre eles assinale-se: Introdução ao Estudo da Histeria; A Etiologia e a Patologia da Paralisia Geral; Um caso de Actinomicose; Estudo Clínico e Experimental; Sobre Vinte e um Casos de Encefalite Letárgica.



Biografia

Cronologia dos principais acontecimentos da vida do Prof. Francisco Pulido Valente

1884 Francisco Pulido Valente nasce a 25 de Dezembro na Praça dos Restauradores n.º33, Lisboa, filho de Maria Bela Pulido Valente e de Francisco Manuel Valente.
1901
Frequentou o Liceu da Regaleira, em Lisboa (hoje sede da Ordem dos Advogados).
1903
Passou algumas tardes na cervejaria Jansen, em Lisboa (onde, a partir de 1914, Fernando Pessoa e outros intelectuais darão início à revista «Orpheu»)). É nesta altura que os dois colegas de escola se decidem pela Medicina. Para Pulido Valente, a escolha foi feita depois de ser operado por Francisco Gentil. Talvez tenha sido a vertente humana deste médico que o atraíu na profissão. Aliás, as questões sociais, e as políticas a elas associadas, estarão sempre presentes na vida de Francisco Pulido Valente.
1904
Fez parte, juntamente com Álvaro de Castro, Campos Lima, Carlos Amaro, Câmara Reis, Tomás da Fonseca e muitos outros, do corpo redactorial da revista Mocidade, em cujo n.º1 da primeira série, com data de 1 de Novembro, tinha então 20 anos incompletos, publicou o artigo Geração Nova.
1907
Foi um dos cabecilhas da greve académica juntamente com o seu cunhado Lúcio Pinheiro dos Santos, os seus amigos Ramada Curto e os irmãos Américo e Carlos Olavo, durante a ditadura de João Franco.
1909
Francisco Pulido Valente termina o curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa, defendendo tese sobre a histeria na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e faz acto grande em que é aprovado com 19 valores.
1910
Responsável pela divulgação, no jornal «República Portugueza»), da tese que defende uma ditadura revolucionária contra o Governo Provisório.
1911
Francisco Pulido Valente é nomeado médico efectivo da Junta Consultiva dos Hospitais Civis de Lisboa.
1912
Em 4 de Janeiro deste ano é nomeado primeiro assistente provisório de 8.ª classe, sendo colocado na cadeira de Psiquiatria sob a direcção do Prof. Júlio de Matos.
1913
A 31 de Maio Francisco Pulido Valente casou com Maria da Conceição, filha de António Lúcio Santos e de Guilhermina Pinheiro dos Santos.
1914
A 15 de Março nasce a sua filha primogénita, Maria Lúcia, em Lisboa, vivendo à data o casal na Rua Tomás Ribeiro. Esta sua filha vem a casar com Pedro Monjardino, médico obstetra introdutor do parto sem dor em Portugal.
1914 - 1917
Frequenta os Laboratórios do Instituto Câmara Pestana, onde aprende e pratica as várias técnicas da bacteriologia e da parasitologia, e onde faz trabalhos de investigação sobre a sífilis.
1917
Em Julho, parte para a 1.ª Guerra Mundial sendo colocado em França.
1917
A 23 de Novembro nasce Francisco Eduardo, segundo filho do casal, em Lisboa.
1919
Regresso a Portugal vindo da 1.ª Guerra Mundial, retomando a sua carreira académica.
1919
A 20 de Setembro é nomeado Segundo Assistente da 1.ª Clínica Médica e a 23 de Dezembro é encarregado da regência do curso de Patologia Médica.
1920
A 25 de Janeiro nasce a sua filha Maria Helena que se liga por casamento à família Correia Guedes, ao casar com Júlio Correia Guedes. Logo em Janeiro assume a regência da 1.ª Clínica Médica e a Direcção dos respectivos Serviços Hospitalares. A 30 de Junho é nomeado Professor Livre. No mês de Julho apresenta o seu relatório sobre a actividade da 1ª Clínica Médica.
1921
Profere a sua lição sobre paralisia geral e é nomeado Professor Ordinário de Patologia e Terapêutica Médicas.
1922
A 23 de Março é encarregue da regência do curso de Terapêutica Médica, que rege até 1924/1925. A 24 de Dezembro nasce a sua terceira filha Maria Antónia que vem a casar com o médico Ângelo Pena, especialista de Otorrino.
1922 - 1923
Neste período tem um papel decisivo na passagem pela Alemanha dos seus discípulos Cascão Anciães, Fernando Fonseca e Morais Cardoso, que por sua indicação vão trabalhar em clínicas e serviços dirigidos pelos maiores especialistas da época.
1923
Em Setembro é transferido da cadeira de Patologia Médica para a de Clínica Médica.
1924
Em Abril é encarregado da regência da 2.ª Clínica Médica, em substituição do Professor Belo Morais. Entre Abril e Julho publica na revista Lisboa Médica as suas lições sobre diabetes. Em Agosto (no dia 21) nasce o seu filho Fernando que vem a ser o grande promotor da Fundação Francisco Pulido Valente, conservando muito do espólio do mestre. Embora com formação em Engenharia este seu filho mantém uma ligação à Medicina e revela um gosto especial pelas ciências básicas e a transversalidade do conhecimento (à semelhança de seu pai).
1925
No mês de Março desloca-se, em comissão de serviço, a Copenhaga, em companhia de Cascão Anciães, para assistir a um congresso sobre o novo tratamento da tuberculose desenvolvido pelo belga Professor Mollgaad (sanocrisina). Em Agosto publica, na revista «Lisboa Médica» a «Carta a um médico provinciano a propósito da sanocrisina» onde resume a sua opinião sobre o valor desse tratamento. Em Dezembro profere na Faculdade de Medicina de Lisboa a lição «As modernas ideias na patologia da tuberculose pulmonar», comemorando o primeiro centenário da Régia Escola de Cirurgia de Lisboa.
1930
Publica um artigo nos Arquivos do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana por ocasião da morte do seu director, Aníbal Bettencourt, a quem o ligavam laços muito especiais pois aí realizou os seus trabalhos de investigação sobre a sífilis.
1935
Francisco Pulido Valente acompanhou com muito interesse o projecto do novo Hospital Escolar. Neste ano respondeu ao questionário da Comissão Técnica dos Hospitais Escolares, em nome da cadeira de Clínica Médica, sendo clara a sua visão do problema.
1936
Em Março dirige uma carta ao Director da Faculdade de Medicina de Lisboa instando-o a que faça, junto dos poderes públicos, as diligências necessárias para que fique resolvida a questão do prossectorado do Hospital Escolar, contratando, para isso, o Professor Wohlwill. A 27 de Julho, vivendo a família na Rua S. Filipe Nery ao Rato, nasce o seu filho mais novo, José Maria, tendo Francisco Pulido Valente a bonita idade de 51 anos.
1938 - 1939
Profere seis lições sobre electrocardiografia integradas em cursos de aperfeiçoamento. Do escasso espólio deixado pelo Professor Pulido Valente fazem parte textos manuscritos das mais variadas áreas. Estes manuscritos encontram-se na posse da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa.
1943
Em Julho publica, na revista «Amatus Lusitanus» o trabalho «Notas sobre a teoria da circulação normal e patológica I – Dinâmica arterial. A teoria de Windkessel». Nesse mesmo ano em Outubro e na mesma publicação surge o trabalho «Sobre leucemias».
1944
Morre no dia 12 de Janeiro, com 26 anos, o seu filho, formado em Medicina, Francisco Eduardo.
1945
Publica na revista «Seara Nova» a tradução de diversos escritos da Escola de Viena a propósito da polémica entre Egídio Namorado e Santana Dionísio, em seguimento à publicação do livro do primeiro, A Escola de Viena.
1947
Em Junho é demitido do lugar de professor por decisão do Conselho de Ministros de 14 de Junho, Diário do Governo nº 138, 1.ª série de 18 de Junho. Em Agosto é colocado na inactividade permanente aguardando aposentação.
1948
No dia 25 de Março é publicada em Diário do Governo, com o número 70, a sua aposentação compulsiva.
1949
Em Janeiro dá uma entrevista ao «Diário de Lisboa» em que critica os serviços de assistência médica, especialmente o funcionamento dos hospitais.
1952
Em Maio desloca-se a Inglaterra para ser observado pelo especialista Terence Millin.
1954
Em Dezembro, por ocasião do seu 70.º aniversário, é homenageado pelos seus amigos e discípulos, cerimónia acompanhada pela publicação de um livro que contou com a participação dos seus principais companheiros de vida.
1956
A amizade com Aquilino Ribeiro fica patente na correspondência que com ele mantém ao longo dos anos.
1957
A ligação com Vitorino Nemésio motiva também alguma troca de correspondência.
1958
Aceita o convite do General Humberto Delgado para fazer parte da Comissão de Honra da sua candidatura à Presidência da República. Neste ano, durante a campanha da candidatura do General Humberto Delgado e a instâncias do seu amigo Manuel Mendes, volta de novo a tomar posição política pública, consentindo pertencer à Comissão de Honra.
1963
Depois de um período de doença surge uma complicação urinária que provoca a sua morte a 20 de Junho com 79 anos incompletos.



Alguns Prémios e Distinções

A brilhante carreira académica de Francisco Pulido Valente foi assinalada por numerosos prémios e distinções, entre os quais se contam os seguintes:
  • Accesit na cadeira de Histologia;
  • Accesit na cadeira de Patologia Interna;
  • Accesit na cadeira de Anatomia Patológica;
  • Accesit na cadeira de Patologia Externa;
  • Accesit na cadeira de Clínica Cirúrgica;
  • Prémio Escolar na cadeira de Matéria Médica;
  • Prémio Alvarenga na cadeira de Matéria Médica;
  • Prémio Alvarenga na cadeira de Obstetrícia;
  • Prémio Alvarenga na cadeira de Clínica Médica;
  • Dezanove valores na Tese inaugural;
  • Escolhido em 1917 pela Direcção do Instituto Câmara Pestana para pensionista de Patologia Médica no estrangeiro.
Nota: Accesit – distinção